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Melhores de 2012

Segundo dados do MUBI, vi em 2012 94 filmes, no que provavelmente deve ter sido meu melhor “ano cinéfilo”, o que é natural uma vez que passei ao menos 6 meses em casa, desempregado.

Além de ter ido mais ao cinema, preenchi algumas lacunas cinematográficas que me incomodavam, entre as quais destaco: uma meia dúzia de Woody Allen (Crimes e Pecados e Annie Hall, meus favoritos), um Tarantino pendente (Cães de Aluguel, maravilhoso), um Wes Anderson das antiga (Três é Demais), um Hitchcock (Um Corpo que Cai), um Truffaut (Os Incompreendidos), vi enfim Laranja Mecânica e iniciei a Saga Star Wars vendo os dois primeiros filmes pela ordem de lançamento (gostei bastante, mas não vou comprar bonecos).

Holy Motors

Das estréias de 2011/2012, eis meus 10 favoritos:

– Drive
– Moonrise Kingdom
– Holy Motors
– As vantagens de ser invisível
– Looper
– Procura-se um amigo para o fim do mundo
– Os Intocáveis
– Os Vingadores
– Jovens Adultos
– Shame

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De Niro vai ao inferno em Taxi Driver

television scene

 

 

Há uma cena de absoluta adequação da imagem àquilo que se quer expressar. Em sua perturbação crescente, Travis está a ponto de saltar a fronteira entre o comportamento cotidiano e a fúria homicida. Esse limiar é expresso de maneira simples e poderosa: ele está assistindo a um melodrama rotineiro na TV; com a cadeira inclinada para trás, toca um pé no aparelho e o balança; o balanço torna-se aos poucos um pouco mais forte, até que a TV cai e se espatifa com um estrondo. Está dado o salto.

“De Niro vai ao inferno em Taxi Driver”, José Geral Couto, 30/06/94.

meia dúzia de comentários sobre meia dúzia de filmes que vi ultimamente

360 – * * *

Se eu fosse escrever picaretices clássicas de críticas, diria que é um Meirelles menor, embora seja mesmo. Mas há de se elogiar a trama absolutamente redonda (360, né?), o elenco bastante talentoso e fotografia belíssima das cidades escolhidas. Gosto também que não seja tão pretensioso quanto outros filmes que tentam criar essa relação de mundo pequeno conectado, como Crash e Babel. Há em 360 a mesma tentativa, mas acho o resultado mais sutil e convincente.

Medianeras – * * * *

Excelente a relação estabelecida entre a arquitetura cada vez mais opressora dos apartamentos de 40m2 com a solidão da vida urbana. A forma como a tecnologia aproxima e separa as pessoas, um clichê tratado de forma correta e bonita. Prova definitiva de que preciso conhecer Buenos Aires o quanto antes.

O Ditador – * * *

Sei que o humor de Sacha Baron Coen não agrada a todos, mas comigo não costuma falhar. É incorreto, escrachado e pornográfico quase sem medidas. Mas creio que seja o derradeiro filme onde a fórmula do estrangeiro que “ofende” a América vá funcionar.

A Lula e a Baleia – * * *

Só agora vi que a produção é do Wes Anderson e faz todo sentido que seja. Tem ali a trama indie, a separação familiar, o conflito adolescente e o pré-adolescente (o garoto punheteiro) e a musa (Anna Paquin e o charme de seus dentes separados). Jeff Daniels é um dos grandes atores subestimados de Hollywood.

Na Estrada –  * *

Dei três estrelas no Mubi, baixei pra duas aqui porque gosto ainda menos. Na verdade não careço dessa necessidade de viver intensamente dos personagens. E o filme é basicamente sobre isso. A fotografia é bonita, a trilha é boa e Kristen Stewart vai bem (alguém dê um roteiro decente pra essa moça, por favor). Quem for adepto da malandragem de “viver a vida como se hoje fosse o último dia” (nenhum mal nisso, que fique claro) deve gostar. Não é o meu caso.

O Feitiço do Tempo – * * * *

Bill Murray absolutamente genial (como se fosse possível não) interpretando o repórter do tempo preso no mesmo dia num looping aparentemente sem fim. Aula fundamental sobre comédias românticas. Estranho que não passe na Sessão da Tarde ao menos uma vez por mês. Assistiria amarradão quantas vezes reprisassem.

Hi

love, love, love

Impressionante a quantidade de cenas memoráveis em Across The Universe. Difícil escolher uma única, mas o momento em que Jude volta para a América e canta All You Need is Love para Lucy é de uma pieguice capaz de catapultar no limbo qualquer coração beatlemaníaco:

Ataque alienígena destrói ponte da João Dias

Saiu o 1º trailer de Blindness, novo longa do Fernando Meireles. E uma cena específica me chamou a atenção: quando a praga já assola a população, meia dúzia de sobreviventes caminha pelo Minhocão inóspito, com carros largados e fumaça. Lá por 1:12 do trailer. Exatamente isso:

São Paulo é o melhor cenário possível para um filme pós-apocalíptico. Blindness, aparentemente, não é esse filme ainda. Mas a cena deve ter ficado impecável.

blueberry pie

Do Wong Kar Wai só tinha visto Amor À Flor da Pele, muito superior a esse Um Beijo Roubado (tradução tacanha para My Blueberry Nights, título original), primeira incursão hollywoodiana do diretor chinês. Fiquei com a impressão de não ter notado algo muito importante para história ou realmente algo muito importante para a história NÃO ESTAVA LÁ. Mas é preciso destacar o triunvirato de mulheres absurdamente sensacionais no elenco: Nora Jones (que não brilha, mas também não MADONNA o filme), Rachel Weisz (a primeira cena em que ela aparece é primorosa) e Natalie-FUCKING-Portman.

E há, sempre, o excelente delírio visual do Kar Wai.