Arquivo mensal: setembro 2012

De Niro vai ao inferno em Taxi Driver

television scene

 

 

Há uma cena de absoluta adequação da imagem àquilo que se quer expressar. Em sua perturbação crescente, Travis está a ponto de saltar a fronteira entre o comportamento cotidiano e a fúria homicida. Esse limiar é expresso de maneira simples e poderosa: ele está assistindo a um melodrama rotineiro na TV; com a cadeira inclinada para trás, toca um pé no aparelho e o balança; o balanço torna-se aos poucos um pouco mais forte, até que a TV cai e se espatifa com um estrondo. Está dado o salto.

“De Niro vai ao inferno em Taxi Driver”, José Geral Couto, 30/06/94.

Billions, with b.


Até 2013.

A morte de John Marston

Não seria muito exagero afirmar que acabei comprando um Xbox apenas para jogar Red Dead Redemption. Recentemente zerei-o, fato inédito em minha vida de gamer, e fiquei bastante impressionando com o gameplay excelente e a história fabulosa. Caso não tenha jogado, o vídeo acima é um spoiler deslavado que só merece perdão pela beleza e crueldade . No youtube existem mashups da cena com Hurt do Johnny Cash que são de chorar:

meia dúzia de comentários sobre meia dúzia de filmes que vi ultimamente

360 – * * *

Se eu fosse escrever picaretices clássicas de críticas, diria que é um Meirelles menor, embora seja mesmo. Mas há de se elogiar a trama absolutamente redonda (360, né?), o elenco bastante talentoso e fotografia belíssima das cidades escolhidas. Gosto também que não seja tão pretensioso quanto outros filmes que tentam criar essa relação de mundo pequeno conectado, como Crash e Babel. Há em 360 a mesma tentativa, mas acho o resultado mais sutil e convincente.

Medianeras – * * * *

Excelente a relação estabelecida entre a arquitetura cada vez mais opressora dos apartamentos de 40m2 com a solidão da vida urbana. A forma como a tecnologia aproxima e separa as pessoas, um clichê tratado de forma correta e bonita. Prova definitiva de que preciso conhecer Buenos Aires o quanto antes.

O Ditador – * * *

Sei que o humor de Sacha Baron Coen não agrada a todos, mas comigo não costuma falhar. É incorreto, escrachado e pornográfico quase sem medidas. Mas creio que seja o derradeiro filme onde a fórmula do estrangeiro que “ofende” a América vá funcionar.

A Lula e a Baleia – * * *

Só agora vi que a produção é do Wes Anderson e faz todo sentido que seja. Tem ali a trama indie, a separação familiar, o conflito adolescente e o pré-adolescente (o garoto punheteiro) e a musa (Anna Paquin e o charme de seus dentes separados). Jeff Daniels é um dos grandes atores subestimados de Hollywood.

Na Estrada –  * *

Dei três estrelas no Mubi, baixei pra duas aqui porque gosto ainda menos. Na verdade não careço dessa necessidade de viver intensamente dos personagens. E o filme é basicamente sobre isso. A fotografia é bonita, a trilha é boa e Kristen Stewart vai bem (alguém dê um roteiro decente pra essa moça, por favor). Quem for adepto da malandragem de “viver a vida como se hoje fosse o último dia” (nenhum mal nisso, que fique claro) deve gostar. Não é o meu caso.

O Feitiço do Tempo – * * * *

Bill Murray absolutamente genial (como se fosse possível não) interpretando o repórter do tempo preso no mesmo dia num looping aparentemente sem fim. Aula fundamental sobre comédias românticas. Estranho que não passe na Sessão da Tarde ao menos uma vez por mês. Assistiria amarradão quantas vezes reprisassem.