Arquivo mensal: junho 2007

Felicidade, versão utópica

Um amontoado de clichês
E você acha graça
Da minha cara de bobo
Dos meus discursos
Dos meus clichês
Você ri da minha insegurança
E rimos os dois
E sorrimos
E você diz:
“Certeza que você vai
escrever um texto clichê sobre isso”
“Certeza”, eu sorrio
Você acha graça
“Desliga e vem deitar”
“Tô indo”.

Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri

Pode notar no meu perfil no Last.fm: do pouco que tenho ouvido de música, muito se resume ao que considero o melhor disco do Roberto Carlos: Detalhes, de 1971. “Considero” é pretensão absoluta; conheço dois ou três discos do perneta e ignoro qualquer coisa que ele tenha gravado de 90 pra cá. Mas dos discos que ouvi esse foi o único que me fez considerar com algum tipo de respeito a alcunha de Rei. Explico:

– É desse disco a primeira gravação de “De tanto amor“, minha atual canção preferida do Rei. Triste e bonita:- Duas músicas desse disco são hits absolutos do rei: Detalhes e Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos. Mas destaco ainda uma outra: Traumas, onde o Robertão canta as angústias da vida adulta de forma sublime:

– E a capa. Melhor capa:

inflamação dos seios paranasais

Ficar doente é um desses infortúnios aos quais tenho me acostumado, ultimamente. A “bola da vez”, uma pneumonia braba, veio acompanhada da seguinte cena:Entrego o envelope com os raios-x ao médico, ele coloca-os no expositor, acende a luz e pronuncia um “vixi, o negócio tá feio”. Como assim? Isso é lá comentário de médico? Depois o sujeito fez aquela cara de caralho-eu-não-devia-ter-dito-isso, explicou, citando nomes estranhos que eu deveria ter anotado pra pesquisar no google, os motivos da tosse absurda e prescreveu dois remédios.

Eu fico imaginando que entre os médicos deve rolar umas sacaneadas legais, no café, do tipo: “Porra, acabei de atender um pentelho com aquelas pneumonias fodidas, saca? Duas semanas pra virar tuberculose” e o outro “Foda (…) A Mariana te chamou pra jantar lá em casa hoje, topa?” e o primeiro “demorô.”.

Sai assustado. E fiquei mais ainda ao pagar R$ 42,00 nos dois remédios prescritos.

Não pretendo mais ficar doente.

Ok, podem fechar o youtube

Quem mora na Grande São Paulo ou passa por aqui com alguma frequência já deve ter notado em algum muro da cidade o nome de Carlos Adão pichado. Eu mesmo, durante muito tempo, alimentei a dúvida sobre o real significado da pintura com fundo preto e a assintura tosca em verde presente nos lugares mais improváveis da capital e das cidades próximas. Ano passado o mistério deixou de existir. Pouco antes da Copa outras pichações com a frase “Seleção 70 foi 10” começaram a surgir e pouco depois o “sentido da coisa” surgiu: Carlos Adão anunciou-se candidato a deputado federal, 7010 (sacou?! hum, hum?!. Carlos Adão é gênio). Mas, coitado, fracassou com míseros 3314 votos.
Ainda assim, não deixa de ser absolutamente sensacional presenciar o próprio, quiçá o mestre, explicar – num vídeo já velho, que só eu não tinha visto – seu método de trabalho:

Delírio

Al Gore tem bonitas pretensões de alertar o mundo sobre os efeitos do aquecimento global e como podemos evitá-lo. Acho bacana.

Mas sinceramente? Eu só queria mesmo é ter o escritório que o cara tem. Manja esses três monitores, saca o plasma…