Arquivo mensal: março 2007

Vida nerd

Eterno desorganizado com links e favoritos do navegador, resolvi perder um final de semana para, finalmente, organizá-los de modo minimamente decente, em pastas (blogs, leituras matutinas, comprar, torrents, jogos, ler etc.). Embora continue achando que manter o favoritos organizado – e pior: linkar tudo que é ou que poderá ser útil e/ou divertido – é tão complicado quanto, sei lá, arrumar a cama todos os dias.

Mas pra isso existe o Google.

Cinco contra um

Fui ao HSBC Belas Artes para assistir a “Babel”. No meio do filme, um homem aparentando uns 70 anos entrou e se sentou ao meu lado. Esse distinto senhor não parava de resmungar, quando então percebi que ele estava se masturbando. Desci as escadas e fui pedir auxílio ao jovem que fica na entrada, e este foi em busca de um segurança _o que levou uns dez minutos. Enquanto isso, uma menina que trabalha no cinema teve a boa vontade de ir comigo à sala para retirar o distinto senhor. Quando voltávamos à sala, o homem já estava descendo as escadas como se nada tivesse acontecido.
Erica Nishimura, 41, médica

Da seção de cartas do Guia da Folha.

"Eu queria ser negro e voador"


Sei que parece que o blog tá virando log de filmes vistos, mas é impossível não deixar de registrar o espetacular O ano em que meus pais saíram de férias. Existem pelo menos meia dúzia de cenas formidáveis, como a da partida de futebol, Mauro correndo atrás do carro, o elenco mirim dançando Eu sou terrível e, lógico, a cena da figurinha do Everaldo. Soma-se aí elenco, direção de arte, trilha sonora e pronto: me arrisco a dizer que é melhor que Cinema, Aspirina e Urubus. Mas talvez seja só o exagero comum aos minutos seguintes da projeção.

Próximo desce

Simplesmente não existe a mínima possibilidade de se acostumar com esse calor. O trajeto trabalho-faculdade é sempre sofrível, suado e com três irritantes senhoras que insistem em comentar absolutamente todas as tragédias da semana, em voz alta, para que o ônibus inteiro as ouça.

A volta para casa é menos torturante, com a lotação repleta de universitários “baquiados” e silenciosos, tendo como raras excessões duplas ou trios de atendentes de telemarketing comentando atendimentos, coordenadores, pausas e benefícios. Mas ainda assim, não consigo aceitar bem o fato de termos 25º as 23h.

"Cê come calango, é?"

Uns 40 minutos de filme. Johann “dorme” enquanto Ranulpho conta sua história. A câmera parada foca o segundo e desfoca o primeiro. E há a história.

Das melhores cenas do cinema nacional.

Mínimo esforço

Notou que o mínimo esforço seria suficiente. Então desanimou. Havia se acostumado ao espantoso desgaste físico que a ação provocava. Percebeu que o que o agravada não era tanto o resultado, mas sim o esforço. Pensou então que não fazia sentido continuar, se o esforço fosse mínimo. Gostava mesmo era de sentir as pernas ficarem bambas até o exato momento em que supunha não mais aguentar e daí então ultrapassar tal momento. Era fascinante. Mas não agora, que conseguira fazer sem ao menos sentir dor. Era como se em todas as vezes anteriores o prazer tivesse se camuflado no resultado, quando na verdade prazeroso era o absurdo esforço necessário para executar a tarefa. Fácil assim era absolutamente ridículo; sem sentir as veias das pernas em chamas, saltando multicolores e sem resgastar com a língua os pingos salgados de suor que desciam da testa e estacionavam no buço. Era o esforço que o fazia estar ali, duas vezes por semana, sendo encarado por crianças descrentes e pais o fitando como se assistissem a um filme procurando inverdades e ficções que enfim os fizessem ter a certeza, a reconfortante certeza de que aquilo não era vida real. Ninguém mais aceita o absurdo, pensava.

Resignado, levitou pela última vez naquela noite.

Abandonou o picadeiro.