Arquivo mensal: fevereiro 2007

Melhor descrição

“Meu dia de folga. Chove em São Paulo. Aqui é tudo menos meio termo. Até ontem teríamos racionamento de água. Hoje já lidamos com a enchente. A Avenida Paulista à noite grita de tão bela. E há o horrendo Minhocão, por onde nunca passo incólume: sempre saio dali mais triste ou mais feia. Uma amiga diz que a cidade cobra um preço alto pela ocupação. É verdade. É um exercício de desligar o botão, embotar os sentidos, baixar a cabeça e caminhar reto pelos obstáculos – os outros pedestres, os ambulantes, os carros, os mendigos no chão. E, no entanto, quando caminho pela Paulista e as luzes estão se acendendo, tenho um grito só, uma euforia e um susto descabidos. Como se eu estivesse nadando em mar aberto.

Paro e tomo um café. É assim que eu sei olhar, assim que vivo.”

GATINHA, VOCÊ ESTÁ EDITADA _ Anna Toledo _ Revista Piauí, nº 3 / Jan 2006.

Melhor lanche até que se prove o contrário

Sanduíche de mussarela de búfala com tomate seco, no pão três queijos e com alface na Subway do Shopping Eldorado.

Babel = Crash?

Ainda estou procurando, mas sei que existe algo para diferenciar Crash de Babel. Embora esse último seja claramente o pior filme de Iñárritu (ao contrário de muitos, acho Amores Brutos bem melhor que 21 gramas), não chega nem perto de ser o embuste dirigido por Paul Haggis e ganhador do Oscar de melhor filme, ano passado. Babel é só o desgate da mesma fórmula utilizada nos dois filmes anteriores do diretor, com uma história bastante irregular.

Sobre o Oscar, fico na torcida por Os Inf iltrados, embora ache Babel leva fácil. De resto, torço só por Adriana Barraza como atriz coadjuvante, única boa atuação do filme de Inárritu.

Comentários relevantes (ou nem tanto) sobre o Anthology dos Beatles ou "Como envergonhar um beatlemaníaco"

Ringo cresceu absurdos no meu conceito. Embora nitidamente um dos mais introspectivos dos Fab Four, era (e parece ser ainda) dono de um humor fino e ácido. Musicalmente, por mais que aparentasse ser o mais “profissional” dos três – no sentido de “vou fazer o que me foi incumbido e pronto”, parecendo displicente, muitas vezes – oscilava tal postura com momentos em que espancava a bateria num transe sensacional.

George é, até segunda ordem, meu beatle favorito. Aparentemente mais tímido que os outros três, estava sempre de bom humor e parecia sempre incrivelmente feliz por estar ali, onde quer que fosse, ao lado de Ringo, John e Paul. Destaque absoluto pro momento em que George, junto com o outros dois, abandona o palco para que Paul cante sozinho a então recente Yesterday. Harrison diz algo como: “Temos aqui um garoto de Liverpool que, enfim, vai realizar o seu sonho”. Muito melhor que a descrição.

– Melhor cena: no disco 2, quando alguém, não soube definir quem, fica dando tapas na cabeça do Paul, enquanto ele dá entrevista. O Anthology deixa claro que os Beatles, acima de tudo, divertiam-se absurdamente com o que faziam.

– O disco 3 é o melhor de todos. Os Beatles desembarcando para a primeira turnê americana. A beatlemania em seu auge absoluto. Fãs desmaiando, corre-corre, jornalistas perguntando “vocês são de verdade?” e “todos nós sabemos que vocês são carecas, certo? portanto isso são perucas?”.

– O show do Washington Coliseum, em 11 de fevereiro de 1964, é definitivamente O MELHOR SHOW DOS BEATLES QUE EU JAMAIS VEREI EM MINHA VIDA. Platéia em chamas e os caras tocando num palco ilhota (cercado de fãs por todos os lados), com um Ringo numa ridícula plataforma redonda. É desse show a melhor versão ao vivo de Please Please Me.

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