Melhor definição

Estar no Orkut é como ser uma cortiça onde todo mundo pode pendurar um bilhete, e, pior, todo mundo pode ler os bilhetes pendurados. É fermento para a neurose dos ciumentos, e tormento para o ciúme dos neuróticos. É possibilidade de reencontrar amigos antigos, e fazer novos: “Há quanto tempo, os anos passaram, olha você! Vamos marcar aquele chope, e falar de antigamente, coisa e tal?’. Não, não quero reencontrar você, colega de escola de vinte anos atrás. “Mas a gente brincava de pique-esconde e gato-mia!” E daí? Por algum motivo paramos com isso, e não acho prudente voltar, meu querido amigo. Não tenho saudades, muito menos tempo, e a vida vai indo bem sem você nas últimas décadas. Se nos esbarrarmos na rua, garanto um sorriso e um papo largo, talvez até possamos sentar em um boteco e trocar novidades, como quem troca cartões de visita. Mas não quero marcar hora com você, amigo querido de infância que não vejo há vinte anos.

João Paulo Cuenca, em sua coluna na TPM.

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