Arquivo mensal: abril 2005

Cassino Hotel*

O gaúcho André Takeda tem 31 anos e mora há 3 em São Paulo. Acaba de lançar pela editora Rocco seu segundo romance, Cassino Hotel, pelo selo Safra XXI, sucessor de Clube dos Corações Solitários (Conrad, 2001).

Takeda, porto-alegrense, se aproveita da vantagem de conhecer muito bem Porto Alegre para usá-la como cenário novamente, mais especificamente Cassino, praia ao extremo sul do estado, onde os cinco personagens se refugiam em busca de respostas e pescarias.

Todos os dias são feitos de clichês

Ao completar 30 anos João Pedro sente-se confuso entre seu romance secreto com Melissa, a Mel X, popstar teen filha de um sertanejo, e suas raízes mal resolvidas em Porto Alegre: um relacionamento entre seu melhor amigo, cego após um acidente, e sua ex-namorada, abandonada ao se decidir por São Paulo, uma relação conturbada com os pais e a morte precoce de uma irmã. E é exatamente para aparar todas essas abas que João volta para o Sul. A situação complica-se mais ainda quando Melissa resolve ir atrás, cancelando um show, o que obriga sua assessoria de imprensa a divulgar uma nota alegando que a musa teen está num spa, se curando de uma crise de stress. O que não impede que os paparazzis e a indústria da fofoca, muito criticados no livro, demorem a descobrir que Melissa está em Cassino com o namorado, ex-viciado e guitarrista demitido de sua banda, quando a família descobre tal romance.

O enredo, homem trintão em busca de suas raízes volta para sua cidade natal, é um clichê, assumido pelo autor inclusive, que chega a incomodar no começo do livro, mas flui de maneira agradável e espontânea tornando-se uma leitura prazerosa. O que também acontece com a linguagem, apesar de cansar ao abusar do saudosismo que inicia a maior parte dos capítulos, como forma de dar consistência aos personagens e de alguns diálogos dispensáveis, que beiram o exagero da pieguice.

André Takeda cumpre com louvor o que se propõe a fazer com sua escrita. Diverte. E isso basta.

* resenha rejeitada pelas mais diversas revistas possíveis

Anúncios

Flagras Jornalísticos

– Eu só acredito? VEEEENDO

A cena acima foi presenciada – e astutamente clicada – no final da tarde de sábado, por mim. Nota-se na foto o DESESPERO de um cão indefeso que, sabe-se lá de que modo, caiu no Córrego do Pirajussara, em frente ao portão principal da Usp. Alguns minutos perdi fitando a cena, mas sem chegar a nenhuma conclusão sobre como tal animal havia parado ali. O muro que cerca o córrego tem, no mínimo, dez metros de altura. Cão nenhum cometeria a imprudência de se jogar de tal altura, ainda mais num córrego, vide o pavor que todo cachorro tem por água. Imaginei também que o coitado pudesse ter, literalmente, entrado pelo cano e por fim ter sido despejado no córrego. Pouco provável.

Ao fotografar tal cena, acabei por chamar a atenção de cerca de meia dúzia de transeuntes, também perplexos com o acontecido. Imaginei Datena, com duas câmeras ao vivo e mais uma aérea; um repórter no local dizendo coisas confusas, formulando hipóteses, criando ibope. Isso sim é espetáculo, pensei. Que gente morrendo, o quê! Que mulher estuprada, o quê! Chacina um caramba! TEM UM CACHORRO ILHADO AQUI, ORAS. Cadê a TV?! Cadê a população chorosa em seus sofás?!

Reduzi-me apenas à realidade e decidi que o melhor a ser feito era ligar para o corpo de bombeiros. Eles viriam, e talvez aí sim as TVs chegassem, mas caso contrário, EU teria imagens exclusivas. Uma foto perfeita para o canto de página do caderno Cidades. Não pagariam tão bem pela foto. Mas com certeza pagariam. Liguei, pois:

– 193, pois não?
– Oi, boa tarde. Eu tô aqui no Córrego do Pirajussara, em frente ao portão principal da Usp. Tem um cachorro ilhado aqui. Cêis poderiam vir resgatá-lo?
– Olha senhor, a gente já atendeu esse tipo de ocorrência algumas vezes. Esses cães costumam fazer isso com certa frequência. Só podemos fazer o resgate se o dono desejar. O senhor é o dono?
– Não.
– Então nós não podemos fazer nada.
– Não podem chamar a Carrocinha depois do resgate?
– Senhor, essa não é a nossa função.
– Mas ele tá ilhado!
– Como o senhor não é o dono, não podemos fazer nada. Mais alguma coisa, senhor?

..

CORPO DE BOMBEIROS IGNORA CACHORROS ILHADOS.

O Agora perdeu uma ótima matéria de capa.

E eu é que não vou lucrar com o coitado do cão. Deve estar lá até agora.

R$ 99

Devo aproveitar a guerra das operadoras pelo melhor preço no dia das mães e adquirir enfim um celular. Deu no jornal que tal embate deve chegar ao ponto de que a Vivo, maior operadora do país, vai oferecer pré-pagos por R$ 99, em 10x sem juros, se assim você preferir. Imagino que eu prefira um Claro, talvez. Provavelmente saia mais barato falar com a namorada, tendo ela um aparelho da mesma operadora. Além da opção de anviar torpedos via web. Ferramenta bastante útil.

Por falar no assunto, a Samsung acaba de anunciar mais um desses “celulares-canivete”, com uma tela com opção de ficar na horizontal, para facilitar a visualização de vídeos. O treco ainda oferece câmera de 2 megapixels, tela de 1 bilhão de cores, mp3 e, ora veja você, dois programas no pacote office: word e excel.


– faz batata frita?

Basta saber se faz ligações e se atualizações do windows serão necessárias.

Servido mau, muito mau

O Orkut, vejam vocês, acabou de completar seu primeiro de vida. E (sic) falando português.

Mas sobre o assunto, vocês devem ler a matéria do jornalista Marcelo Xavier para a revista Rabisco, na qual ele descreve com extrema precisão exatamente o que penso sobre as comunidades, citando inclusive a já supracitada comunidade criada por mim, o fenômeno Deve ser muito chato ser uma árvore. Diz ele:

Descobri que as melhores comunidades são as mais fúteis, mas ao mesmo tempo, são as mais divertidas e elucidativas do espírito de cada um: “Eu odeio acordar cedo”, “Eu tenho medo da musiquinha do Plantão da Globo”, “Eu sou fã do Mussum” (inclusive, a do Mussum tem o joguinho do “Vai te fudesis!”), “Deve ser chato ser uma árvore”…

Fama: a minha parte eu quero em dinheiro.

Posts minimalistas – série eterna

Eu coloco a orelha dentro do ouvido.

Resenhas da naftalina

Alex & Emma consegue provocar um desapontamento duplo para qualquer um que já tenha visto Excêntricos Tenembaums e Quase Famosos, onde, nessa ordem, Luke Wilson e Kate Hudson tiveram ÓTIMAS atuações. Rende alguns sorrisos, não nego, mas o roteiro clichê envolvendo um escritor endividado, com a obrigação de escrever um romance em um mês, e sua digitadora palpiteira não ajuda em nada no desenvolver da trama. É óbvio que durante esse período, eles acabam se envolvendo – caso contrário não seria um comédia romântica – tanto na “vida real” quanto no romance que está sendo escrito por Alex (luke wilson).

Não assista.

Faz por 1 real?


Tronky

É, defitivamente os caras da Ferrero acertaram com esse Snack de chocolate com avelãs. A combinação resulta numa pasta sensacional envolvida por um wafer também dos melhores. Demais de gostoso.

Só deveriam abaixar o preço de R$ 1,20 pra 1 puto redondo.

Prazer, Lucas

“Não me acho simpático, e suponho que, se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa”
Rubem Fonseca

Fisolofia de vida


o povo não tem o que fazer

DEVE SER MUITO CHATO SER UMA ÁRVORE
Discutimos o problema, mas nos permitimos o direito de não apontar soluções. Não há, afinal.

Olha, mamãe: a comunidade criada por mim no orkut acaba de ultrapassar a barreira dos 4 mil membros.

A coisa toda fugiu de controle. Eu quase nem apareço por lá.

As discussões filosóficas que rolam no forum são eternamente muito mais criativas que a minha concepção inicial.

Divirtivam-se.

Musas pra metade da década


Emma Watson, a Hermione da série de adaptações cinematográficas de Harry Potter. Saca a coloração rósea que envolve queixo, bochechas, nariz e boca. Olha esses dois dentinhos aparecendo. U-hu!