Saco vazio não pára em pé

Cuidou das armas com atenção redobrada, limpou os canos, tirou o suor do gatilho. Fez caras e poses na frente de um enorme espelho que havia sido colocada há pouco na sala. Queria reflexos, queria ver a cara do safado por todos os ângulos. Ao ensaiar, mirava a cabeça, os pés, o joelho. Sim, o joelho! Imaginou que um tiro no joelho deveria produzir uma dor do caralho. O filho da puta cairia e tudo então seria concluído com um tiro no saco e outro no peito. Criou na imaginação um intervalo de aproximadamente cinco minutos entre o segundo e o terceiro tiro. Era preciso que ele sentisse o tiro no saco, fizesse caras de piedade, implorasse perdão, mas não podendo ficar de joelhos. Sentiria seus dedos coçarem com a possibilidade de outro tiro na altura do membro sexual, mas como só tinha três balas, resistiria. A última se alojaria no peito, dando um desfecho mortal para o crime que, com certeza, seria primeira página no jornal da cidade.

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