Melhores de 2012

Segundo dados do MUBI, vi em 2012 94 filmes, no que provavelmente deve ter sido meu melhor “ano cinéfilo”, o que é natural uma vez que passei ao menos 6 meses em casa, desempregado.

Além de ter ido mais ao cinema, preenchi algumas lacunas cinematográficas que me incomodavam, entre as quais destaco: uma meia dúzia de Woody Allen (Crimes e Pecados e Annie Hall, meus favoritos), um Tarantino pendente (Cães de Aluguel, maravilhoso), um Wes Anderson das antiga (Três é Demais), um Hitchcock (Um Corpo que Cai), um Truffaut (Os Incompreendidos), vi enfim Laranja Mecânica e iniciei a Saga Star Wars vendo os dois primeiros filmes pela ordem de lançamento (gostei bastante, mas não vou comprar bonecos).

Holy Motors

Das estréias de 2011/2012, eis meus 10 favoritos:

– Drive
– Moonrise Kingdom
– Holy Motors
– As vantagens de ser invisível
– Looper
– Procura-se um amigo para o fim do mundo
– Os Intocáveis
– Os Vingadores
– Jovens Adultos
– Shame

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Talvez ela toque piano ou tocasse quando era pequena. O repertório de carícias de uma pessoa é uma coisa comovente de se pensar. Por que toca nas outras dessa ou daquela forma. Vem de tantos lugares. O que imaginamos que deve ser bom, o que nos disseram que era bom, o que fizeram em nós e gostamos, o que é involuntário, o que é o nosso jeito de agradar e pronto. Ela goza praticamente em silêncio ou, pensando bem, em silêncio total. E de olhos fechados. Nem um pio. Dá para ouvir as ondas. Disso tudo não esquecerá um único detalhe. Continuará na memória dali a meses ou anos para ser evocado e remeterá somente a ela. Cataloga com espanto renovado as inúmeras maneiras como o mundo é capaz de se descortinar aos seus sentidos. Nada a não ser os rostos se perde. Dália dormindo sem nenhum ruído a seu lado, emanando calor, a bunda encostada no seu quadril, as costas no seu ombro esquerdo, as ondas batendo quase na janela. Vai lembrar de tudo.

Daniel Galera, Barba ensopada de sangue 

repertório de carícias

Louie e a boneca

Louie já vinha sendo sensacional desde a estréia, mas se reinventou na recentemente encerrada terceira temporada de sua série e essa cena sintetiza toda sua genialidade:

Congela

Avenida BrasilEm sua coluna de hoje no Globo, Arnaldo Jabor fala de Avenida Brasil e, embora elocubre um pouco, cita o que o que pra mim é um ponto fundamental pro sucesso de crítica da trama: o modo como o autor, João Emanuel Carneiro, aceita corajosamente se embrenhar em encrencas e roteirismos aparentemente sem soluções ou explicações plausíveis. O maior exemplo disto envolve o momento que Carminha e Max recuperam as fotos e retomam as rédeas da vingança, enquanto Nina desacreditada e desesperada simplesmente some da trama ao mesmo tempo em que as redes sociais clamam pela doação de um pendrive pra moça. É quando a novela perde fôlego, o que é absolutamente compreensivo em uma obra que dura 9 meses, para retomar com maestria, como de uma semana para cá.

Todos os outros elogios já foram feitos: o elenco, a popularização da classe c, as incontáveis referências, os diálogos, o sensacional Adauto, a sensacional Zezé, a espetacular Débora Nascimento, mas não há como não deixar de elogiar o sempre tão criticado Murilo Benício, comedido e certeiro no papel de sua vida.

Parabéns a todos os envolvidos.

De Niro vai ao inferno em Taxi Driver

television scene

 

 

Há uma cena de absoluta adequação da imagem àquilo que se quer expressar. Em sua perturbação crescente, Travis está a ponto de saltar a fronteira entre o comportamento cotidiano e a fúria homicida. Esse limiar é expresso de maneira simples e poderosa: ele está assistindo a um melodrama rotineiro na TV; com a cadeira inclinada para trás, toca um pé no aparelho e o balança; o balanço torna-se aos poucos um pouco mais forte, até que a TV cai e se espatifa com um estrondo. Está dado o salto.

“De Niro vai ao inferno em Taxi Driver”, José Geral Couto, 30/06/94.

Billions, with b.


Até 2013.

A morte de John Marston

Não seria muito exagero afirmar que acabei comprando um Xbox apenas para jogar Red Dead Redemption. Recentemente zerei-o, fato inédito em minha vida de gamer, e fiquei bastante impressionando com o gameplay excelente e a história fabulosa. Caso não tenha jogado, o vídeo acima é um spoiler deslavado que só merece perdão pela beleza e crueldade . No youtube existem mashups da cena com Hurt do Johnny Cash que são de chorar: