Um amontoado de clichês
E você acha graça
Da minha cara de bobo
Dos meus discursos
Dos meus clichês
Você ri da minha insegurança
E rimos os dois
E sorrimos
E você diz:
“Certeza que você vai
escrever um texto clichê sobre isso”
“Certeza”, eu sorrio
Você acha graça
“Desliga e vem deitar”
“Tô indo”.

Pode notar no meu perfil no Last.fm: do pouco que tenho ouvido de música, muito se resume ao que considero o melhor disco do Roberto Carlos: Detalhes, de 1971. “Considero” é pretensão absoluta; conheço dois ou três discos do perneta e ignoro qualquer coisa que ele tenha gravado de 90 pra cá. Mas dos discos que ouvi esse foi o único que me fez considerar com algum tipo de respeito a alcunha de Rei. Explico:

- É desse disco a primeira gravação de “De tanto amor“, minha atual canção preferida do Rei. Triste e bonita:- Duas músicas desse disco são hits absolutos do rei: Detalhes e Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos. Mas destaco ainda uma outra: Traumas, onde o Robertão canta as angústias da vida adulta de forma sublime:

- E a capa. Melhor capa:

Ficar doente é um desses infortúnios aos quais tenho me acostumado, ultimamente. A “bola da vez”, uma pneumonia braba, veio acompanhada da seguinte cena:Entrego o envelope com os raios-x ao médico, ele coloca-os no expositor, acende a luz e pronuncia um “vixi, o negócio tá feio”. Como assim? Isso é lá comentário de médico? Depois o sujeito fez aquela cara de caralho-eu-não-devia-ter-dito-isso, explicou, citando nomes estranhos que eu deveria ter anotado pra pesquisar no google, os motivos da tosse absurda e prescreveu dois remédios.

Eu fico imaginando que entre os médicos deve rolar umas sacaneadas legais, no café, do tipo: “Porra, acabei de atender um pentelho com aquelas pneumonias fodidas, saca? Duas semanas pra virar tuberculose” e o outro “Foda (…) A Mariana te chamou pra jantar lá em casa hoje, topa?” e o primeiro “demorô.”.

Sai assustado. E fiquei mais ainda ao pagar R$ 42,00 nos dois remédios prescritos.

Não pretendo mais ficar doente.

Quem mora na Grande São Paulo ou passa por aqui com alguma frequência já deve ter notado em algum muro da cidade o nome de Carlos Adão pichado. Eu mesmo, durante muito tempo, alimentei a dúvida sobre o real significado da pintura com fundo preto e a assintura tosca em verde presente nos lugares mais improváveis da capital e das cidades próximas. Ano passado o mistério deixou de existir. Pouco antes da Copa outras pichações com a frase “Seleção 70 foi 10″ começaram a surgir e pouco depois o “sentido da coisa” surgiu: Carlos Adão anunciou-se candidato a deputado federal, 7010 (sacou?! hum, hum?!. Carlos Adão é gênio). Mas, coitado, fracassou com míseros 3314 votos.
Ainda assim, não deixa de ser absolutamente sensacional presenciar o próprio, quiçá o mestre, explicar – num vídeo já velho, que só eu não tinha visto – seu método de trabalho:

Delírio

Junho 2, 2007

Al Gore tem bonitas pretensões de alertar o mundo sobre os efeitos do aquecimento global e como podemos evitá-lo. Acho bacana.

Mas sinceramente? Eu só queria mesmo é ter o escritório que o cara tem. Manja esses três monitores, saca o plasma…