Ainda sobre Babel

Fevereiro 25, 2007

Melhor descrição

Fevereiro 25, 2007

“Meu dia de folga. Chove em São Paulo. Aqui é tudo menos meio termo. Até ontem teríamos racionamento de água. Hoje já lidamos com a enchente. A Avenida Paulista à noite grita de tão bela. E há o horrendo Minhocão, por onde nunca passo incólume: sempre saio dali mais triste ou mais feia. Uma amiga diz que a cidade cobra um preço alto pela ocupação. É verdade. É um exercício de desligar o botão, embotar os sentidos, baixar a cabeça e caminhar reto pelos obstáculos – os outros pedestres, os ambulantes, os carros, os mendigos no chão. E, no entanto, quando caminho pela Paulista e as luzes estão se acendendo, tenho um grito só, uma euforia e um susto descabidos. Como se eu estivesse nadando em mar aberto.

Paro e tomo um café. É assim que eu sei olhar, assim que vivo.”

GATINHA, VOCÊ ESTÁ EDITADA _ Anna Toledo _ Revista Piauí, nº 3 / Jan 2006.

Sanduíche de mussarela de búfala com tomate seco, no pão três queijos e com alface na Subway do Shopping Eldorado.

Babel = Crash?

Fevereiro 24, 2007

Ainda estou procurando, mas sei que existe algo para diferenciar Crash de Babel. Embora esse último seja claramente o pior filme de Iñárritu (ao contrário de muitos, acho Amores Brutos bem melhor que 21 gramas), não chega nem perto de ser o embuste dirigido por Paul Haggis e ganhador do Oscar de melhor filme, ano passado. Babel é só o desgate da mesma fórmula utilizada nos dois filmes anteriores do diretor, com uma história bastante irregular.

Sobre o Oscar, fico na torcida por Os Inf iltrados, embora ache Babel leva fácil. De resto, torço só por Adriana Barraza como atriz coadjuvante, única boa atuação do filme de Inárritu.

- Ringo cresceu absurdos no meu conceito. Embora nitidamente um dos mais introspectivos dos Fab Four, era (e parece ser ainda) dono de um humor fino e ácido. Musicalmente, por mais que aparentasse ser o mais “profissional” dos três – no sentido de “vou fazer o que me foi incumbido e pronto”, parecendo displicente, muitas vezes – oscilava tal postura com momentos em que espancava a bateria num transe sensacional.

- George é, até segunda ordem, meu beatle favorito. Aparentemente mais tímido que os outros três, estava sempre de bom humor e parecia sempre incrivelmente feliz por estar ali, onde quer que fosse, ao lado de Ringo, John e Paul. Destaque absoluto pro momento em que George, junto com o outros dois, abandona o palco para que Paul cante sozinho a então recente Yesterday. Harrison diz algo como: “Temos aqui um garoto de Liverpool que, enfim, vai realizar o seu sonho”. Muito melhor que a descrição.

- Melhor cena: no disco 2, quando alguém, não soube definir quem, fica dando tapas na cabeça do Paul, enquanto ele dá entrevista. O Anthology deixa claro que os Beatles, acima de tudo, divertiam-se absurdamente com o que faziam.

- O disco 3 é o melhor de todos. Os Beatles desembarcando para a primeira turnê americana. A beatlemania em seu auge absoluto. Fãs desmaiando, corre-corre, jornalistas perguntando “vocês são de verdade?” e “todos nós sabemos que vocês são carecas, certo? portanto isso são perucas?”.

- O show do Washington Coliseum, em 11 de fevereiro de 1964, é definitivamente O MELHOR SHOW DOS BEATLES QUE EU JAMAIS VEREI EM MINHA VIDA. Platéia em chamas e os caras tocando num palco ilhota (cercado de fãs por todos os lados), com um Ringo numa ridícula plataforma redonda. É desse show a melhor versão ao vivo de Please Please Me.

Teste

Fevereiro 10, 2007

Teste